Quem é VOCÊ neste mundo híper acelerado?

Nos últimos anos, sem percebermos, evoluímos muito. Mas muito mesmo.

O Facebook começou a ser usado com força no Brasil há apenas doze anos, em 2011. Veja o que aconteceu com publicidade, mídia, política, comunicação por meio de memes, indiretas nas redes sociais e por aí vai.

Influencers, creators, pessoas comuns ganhando voz, conquistando fãs, tendo seguidores, sendo ouvidos sem estarem nos maiores canais de TV, jornais e revistas do mundo.

O que elas falam? Como influenciam?

Elas ensinam, tiram dúvidas, explicam assuntos que dominam ou dão dicas de algo que usaram e gostaram. Isso é maravilhoso para pessoas e empresas. Claro que, como em toda profissão, existem profissionais que não fazem um bom trabalho, compram seguidores e tal... vamos focar nos bons.

Antigamente, o boca a boca rolava em encontros como as Tupperware Parties, onde mulheres testavam as maravilhas que só o Tupperware podia proporcionar.

E os vídeos rápidos, como os Reels e os do TikTok?

No Brasil, há apenas quatro anos, entre 2018 e 2019, começamos a consumir vídeos de até sessenta segundos. Antes, era ainda menos.

Estávamos acostumados a ver receitas na TV ou no YouTube, com trinta minutos em média. Hoje, é uma correria danada: receitas em sessenta segundos, tudo super acelerado.

Eu já fiz algumas receitas em Reels, mas precisei pausar ou printar o passo a passo. Confesso que podia ser mais devagar, mas a forma sintetizada também tem seu lado bom. Se você quer algo prático e rápido porque está sem tempo, esses vídeos curtos podem ser um aliado.

Toda essa quantidade de conteúdo — gratuito ou pago, bom ou ruim — está muito rápida.

Dinheiro rápido em X semanas. Profissionais surgindo em poucos dias com ensinamentos digitais. Muitos não conseguem, se frustram, desenvolvem ansiedade, depressão e desânimo.

Mas, de fato, muitos conseguem, o que é ótimo, pois nem todo mundo teve a chance de fazer uma faculdade.

Enriquecendo, largam os estudos ou nem pensam em começar a estudar algo que não seja aquilo que os deixou ricos. Eles têm gratidão pelos mentores e professores. Querem ser como eles, pensam como eles, imitam. Eles são seus ídolos. O que falam está certo e não há discussão. Aí vem o perigo.

Esse mentor pode ser excelente em X, Y, Z. Mas será que ele sabe a melhor forma de você viver sua vida? E a vida de milhões de seguidores dele? Todo mundo se encaixaria nesse lifestyle e ficaria plenamente satisfeito? Talvez sim, talvez não.

Precisamos de pensamento crítico. E o que nos faz ter pensamento crítico — e não sermos só decoradores de frases, repetidores de ações e pensamentos, cumpridores de tarefas e metas, o famoso papagaio de pirata? Estudar. Isso mesmo. Aquelas matérias chatas e teóricas.

Você pode aprender um pouco, devagar, no seu tempo: filosofia, sociologia, estudo da mente humana, antropologia, finanças pessoais, sustentabilidade, história do seu país e do mundo. Aprender outra língua. Ler em outra língua. Muitos conteúdos não estão disponíveis em português.

A tecnologia é nossa amiga. Veio para ajudar, facilitar e popularizar o que antes era restrito a poucas pessoas. Mas, dependendo de como é usada, pode se tornar uma grande vilã.

Saindo da evolução tecnológica: pense como era bizarro, há apenas vinte anos, jovens artistas — cantoras ou atrizes — serem questionadas em entrevistas sobre suas virgindades, lá pelos anos 2000. Bizarro, né? Isso era normal na época.

O comportamento humano está mudando rapidamente, junto com a evolução tecnológica. Então, aprender coisas teóricas, que não vão te deixar rico em sete dias nem emagrecer dez quilos em cinco dias, será muito útil para sua vida, sua sobrevivência e adaptação neste mundo.

Será importante também para que você saiba como deve agir e reagir da forma que seja melhor para você diante de toda essa rapidez da evolução comportamental e tecnológica.

Evoluímos muito, de forma muito rápida. Então, precisamos parar, pensar, entender, olhar para dentro de nós, conectar com nossa essência. Sair um pouco dessa vida de aparências — que existia antes mesmo das redes sociais. Precisamos ver se estamos felizes de verdade ou se estamos apenas replicando o pensamento de outro, ou vivendo assim porque os outros nos acham fod@ sendo assim.

Depois disso, precisamos pensar como fazer, como nos adaptar e o que fazer com todas essas mudanças que têm deixado nossa vida hiperacelerada.

Dinheiro rápido. Conhecimento raso. Relações rápidas. Amores líquidos.

Perca o medo do FOMO, a necessidade constante de saber e fazer o que as outras pessoas estão fazendo.

Perca o medo de deixar de comprar um e-book de dieta milagrosa.

Perca o medo de não acordar às cinco da manhã todos os dias, caso não tenha necessidade ou ainda não se tenha adaptado.

Perca o medo de não dar conta de ler um livro por semana, caso não consiga.

Nem tudo funciona para todos.

Teste. Analise como você está. E então, tome decisões com base em você.

Claro, não se acomode. Mas não tenha essa pressa de viver a vida, nem esse desespero achando que não terá sucesso se não estiver consumindo conhecimento 24 horas por dia.

As melhores ideias e soluções — para problemas pessoais ou de negócios — surgem na calmaria. Paz. No ócio.

Como diz o publicitário Nizan Guanaes: a disrupção muitas vezes vem do desnecessário. Procure ser diferente.

Tá todo mundo igual: mesmo sorriso, mesmo formato de rosto, mesmo estilo de roupa, mesmo tipo de maquiagem.

Não seja mais do mesmo.

Lembre-se: tudo pode acontecer no mundo. Você pode perder seu dinheiro, sua liberdade, mas seu conhecimento nunca será tirado de você.

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