A autodestruição brasileira: A anti-propaganda e saúde mental do "vira-lata"

Por que o compartilhamento massivo de memes depreciativos tem impactos sociais negativos?

Já falei aqui sobre a autossabotagem de jovens com mais de 30 anos que repetem como mantras frases sobre sua saúde financeira, mental e física. A vida não está fácil mas compartilhar quase diariamente memes depreciativos na internet não nos cura como sociedade.

Agora falarei de algo que sempre me incomodou desde criança: a síndrome de vira lata que o brasileiro carrega. Essa síndrome afeta a imagem do Brasil no cenário internacional e dificulta oportunidades de investimento e desenvolvimento do país. É essencial lembrar que apesar dos problemas o Brasil possui muitas qualidades e potenciais a serem explorados.

Valorizar nossas riquezas culturais, naturais e humanas é fundamental para construir uma imagem mais positiva e realista da nação. Assim podemos atrair mais investimentos, receber mais turistas e fortalecer a autoestima de todos os brasileiros.

Quando falamos mal do Brasil fazemos uma antipropaganda séria sem perceber. Essa informação é vendida e exposta fora do país. Se você falar mal do Brasil na internet ou ao vivo com um estrangeiro estará contribuindo para o atraso do país tanto quanto se sente satisfeito por compartilhar memes depreciativos sobre sua geração. Nada disso adianta.

Trabalho com turismo desde 2017 e quando morei fora representando minha empresa vi brasileiros falando mal do país e compartilhando vídeos de mortes, tiroteios e calamidades em grupos de Whatsapp que incluíam muitos estrangeiros, empreendedores e investidores. Que problema eles resolvem ao divulgar esse tipo de conteúdo? Que imagem acham que estão passando?

O que propõem como solução para nosso país quando publicam conteúdo sem propósito apenas para falar mal? As pessoas nem percebem que criticar o Brasil é criticar a si mesmas, suas famílias, seus valores, sua cultura e seu conhecimento. Se o país é péssimo a pessoa que o difama também parece ser ruim.

Estrangeiros podem pensar que o caráter, a formação acadêmica e a inteligência do brasileiro são todos ruins já que o país não presta. Tive amigos estrangeiros que se mudaram para o Brasil e ficaram com medo de revelar o sotaque tentando disfarçar para não parecer tão estrangeiros.

Eles contaram ter receio de brasileiros com síndrome de vira lata fingirem amor apenas para se casarem e depois irem embora usando-os como trampolim para uma vida “melhor”. A ideia aqui é alertar os brasileiros a cultivarem mais autoestima e a pararem de causar danos a si mesmos e ao país. Existem brasileiros brilhantes, generosos e corajosos que enfrentam dificuldades por causa de quem os vê apenas como degrau para escapar do “inferno do Brasil” rumo a um Éden imaginário onde todos os problemas desaparecem ao pisar nele.

Vejo pessoas vivenciando momentos de tristeza, ansiedade e depressão que acreditam que emigrar resolverá seus problemas. Emigrar não é simples. Influenciadores nas redes sociais vendem a ideia de perfeição e facilidade de morar fora mostrando apenas a diferença de preço de um iPhone ou de um pote de Nutella. Muitas pessoas acabam emigrando ilegalmente sendo presas, deportadas ou enfrentando situações insalubres.

Grande parte dos nossos problemas é interna mas há casos em que o ambiente é tóxico com pessoas abusivas e narcisistas. Nesse contexto pode ser necessário sair daquele local sem abandonar o país. Também lidamos com questões culturais e históricas herdadas além de desafios pessoais complexos.

Muitos sabem que precisam de ajuda mas negam terapia psiquiátrica ou psicológica considerando profissionais de saúde mental “coisa de maluco” ou acreditando poder se curar sozinhos. A saúde mental já é e continuará sendo o maior investimento do planeta maior até que ouro ou bitcoin.

Quando falo da síndrome de vira lata não me refiro a salários, empregos ou oportunidades em outros países que realmente existem. Se você quiser sair legalmente saia se quiser ficar fique. Mas falar mal do país para quem não o conhece e apresentar essa visão como fato é prejudicial.

Imagine um brasileiro com síndrome de vira lata conversando com um estrangeiro que sonhava em conhecer o Brasil e fazendo-o desistir. Imagine esse estrangeiro repetindo a opinião para vinte pessoas em uma festa. Suponha que uma delas seja dona de um fundo de investimento em sustentabilidade no Brasil se ela desconfia não investirá. Pense em uma turista que planejava passar meses no Brasil mas desiste e desencoraja dez amigos. Menos dinheiro menos turismo menos atenção menos tudo para o Brasil. Isso resolve algo? Isso melhora algo?

Para piorar a maioria dos que sofre da síndrome continua no Brasil sem buscar uma estratégia legal para sair limitando-se a compartilhar memes negativos.

Nenhum país é perfeito. Todos têm aspectos bons e ruins e problemas diversos. Falar mal do Brasil é antiquado cafona e faz mal a todos.

Obs Foquei este texto no brasileiro de classe média.

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